skip to Main Content
11 3284-6672 contato@drricardoteixeira.com.br

Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa (DISH)

A Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa, DISH como é chamada, é uma desordem de ossificação da coluna vertebral, sendo outros exemplos importantes, a espondilite anquilosante e o estágio final da espondilose (desgaste da coluna).

Ela acomete principalmente pacientes do sexo masculino, com idade mais avançada (acima de 70 anos) e com múltiplas comorbidades como hipertensão, diabetes, obesidade, infarto do miocárdio, dentre outras. Apesar de aumentar a ossificação da coluna, a DISH produz um osso de má qualidade e uma coluna rígida com grande propensão a fraturas.

Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa (DISH) | Dr. Ricardo Teixeira
Figura 1: Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa (DISH)

Introdução

A Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa (DISH), também chamada de Doença de Forestier, é uma doença caracterizada pela calcificação dos ligamentos da coluna vertebral, principalmente no seu segmento torácico e entesite dos membros. Raramente, é diagnosticada antes dos 40 anos de idade, acometendo, portanto, indivíduos de idade mais avançada.

A desregulação na reabsorção e produção do osso na DISH faz com que haja uma ossificação de má qualidade e excessiva, promovendo a fusão entre corpos vertebrais adjacentes. Assim, a coluna se ossifica em blocos, se tornando mais rígida e mais propensa a fraturas.\

Causas da Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa

A causa específica da Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa (DISH) ainda não é totalmente conhecida. Sabe-se que o envelhecimento, fatores mecânicos, a obesidade e a síndrome metabólica aumentam sua ocorrência.

Assim, alguns estudos avaliam a relação da DISH com fatores como:

  • Distúrbios metabólicos de insulina, glicose e hormônios do crescimento
  • Exposição excessiva a fluoreto e vitamina A
  • Medicamentos como isotretinoína,
  • Desregulação de fatores do crescimento 

Sintomas

A Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa (DISH) pode ser assintomática em grande parte dos pacientes ou levar a sintomas inespecíficos como rigidez, com limitação da mobilidade da coluna, cervicalgia, dorsalgia e lombalgia.

No caso de pacientes com deformidade e rigidez avançada da coluna vertebral, podemos observar dificuldade para engolir (disfagia) e distúrbios respiratórios. Estes sintomas também podem ser causados pelo crescimento ósseo excessivo, sobretudo na região cervical.

A ossificação aumentada da coluna, sobretudo do ligamento longitudinal posterior, pode levar a um estreitamento do canal vertebral em um quadro chamado de estenose. Portanto, esta condição pode levar à compressão da medula e dos nervos da coluna vertebral, gerando sintomas de dor ou formigamento irradiando para os membros, perda de equilíbrio, perda de força nos membros e perda do controle urinário ou intestinal.

A Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa (DISH) também pode gerar entesite nas articulações periféricas, isto é, inflamação e desconforto na região final do tendão, onde ele se liga ao osso. Desta maneira, joelhos, tornozelos, ombros e quadris também são possíveis locais de acometimento.

DISH: Principais sinais e sintomas | Dr. Ricardo Teixeira
Figura 2: DISH: Principais sinais e sintomas

Diagnóstico da Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa

Como muitos pacientes são assintomáticos, o diagnóstico em grande parte das vezes é incidental. Isto quer dizer, o paciente faz um exame por outro motivo e é observada por acaso a Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa (DISH).

Os principais exames que avaliam a Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa (DISH) são a radiografia e a tomografia. A ressonância magnética pode ser solicitada caso haja suspeita de compressão das estruturas neurológicas.

Os principais critérios utilizados para seu diagnóstico são:

  • Presença de ossificação/osteófitos grosseiros em pelo menos 4 vértebras adjacentes, em seu aspecto ântero-lateral
  • Preservação da articulação sacro-ilíaca
  • Preservação das articulações apofisárias (articulações entre as vértebras)
  • Preservação da altura discal
Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa (DISH) | Dr. Ricardo Teixeira
Figura 3: Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa (DISH)

Fraturas Vertebrais

Como mencionado anteriormente, a coluna dos pacientes com DISH se torna excessivamente rígida e ossificada. Ao contrário do que se poderia imaginar, esse osso formado é de “baixa qualidade” e apresenta maior chance de fratura quando comparado ao osso normal. Esta combinação descrita aumenta significativamente a chance de fraturas mesmo em quedas simples.

A principal característica destas fraturas é a separação em dois segmentos vertebrais rígidos com grande mobilidade entre si. Este processo aumenta a chance de desvio da fratura e lesão das estruturas neurológicas (medula ou nervos). Portanto, são fraturas mais graves que o habitual e necessitam de atenção especial.

Fratura em DISH | Dr. Ricardo Teixeira
Figura 4: Fratura em DISH. O segmento acima e o segmento abaixo da fratura se movem como blocos distintos.

As fraturas da coluna vertebral são uma das principais complicações nos pacientes com DISH. Em muitos casos, o diagnóstico de DISH é realizado justamente em razão de uma fratura da coluna vertebral. É fundamental, portanto, medidas para se prevenir quedas e fraturas nos pacientes que receberam este diagnóstico.

Tratamento para Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa

O tratamento da Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa (DISH) é sintomático e preventivo. Não dispomos, até o momento, de uma medicação que evite o surgimento ou progressão da ossificação.

Ele consiste em analgésicos, anti-inflamatórios e glicocorticoides em casos de dor ou desconforto. A reabilitação, fisioterapia, perda de peso, cuidados posturais e alongamentos são fundamentais.

Todos os pacientes devem ser orientados em prevenção de quedas (calçados e pisos antiderrapantes, evitar tapetes soltos, uso de corrimão e barras nos corredores e banheiro, evitar objetos soltos pela casa, avaliação oftalmológica em dia, diminuir o número de móveis pela casa e uma boa iluminação). A avaliação da densidade óssea destes pacientes também deve ser rigorosa com densitometria óssea anual.

Felizmente, na maioria dos casos o tratamento clínico é satisfatório. Cirurgias são reservadas em casos de compressão de estruturas neurológicas ou em fraturas instáveis.

O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em coluna.

Fonte:
Sociedade Brasileira de Coluna (http://portalsbc.org)
Sociedade Brasileira de Reumatologia (https://www.reumatologia.org.br)
https://www.uptodate.com/contents/diffuse-idiopathic-skeletal-hyperostosis-dish
Sociedade Paulista de Reumatologia
National Library of Medicine
National Library of Medicine

Este artigo tem 0 comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Back To Top
×Close search
Pesquisar