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Pedículos Curtos: O que são, sintomas, diagnóstico e tratamento

Os pedículos curtos, também chamados de pedículos constitucionalmente curtos, são uma característica anatômica da coluna vertebral na qual os pedículos apresentam comprimento menor do que o habitual.

Como consequência, o espaço disponível dentro do canal vertebral é reduzido. Essa característica geralmente está presente desde o nascimento e está relacionada a um canal vertebral constitucionalmente menor que o habitual.

Ter pedículos curtos, entretanto, não significa necessariamente apresentar uma doença ou precisar de tratamento. Muitas pessoas possuem essa característica anatômica sem desenvolver sintomas.

O problema pode surgir quando um canal naturalmente mais estreito apresenta também alterações adquiridas ao longo da vida, como hérnia de disco, artrose, espessamento ligamentar ou outras condições que diminuem ainda mais o espaço disponível para as estruturas neurológicas.

1. O que são os pedículos da coluna?

As vértebras são os componentes ósseos da coluna vertebral e são formadas por diferentes estruturas.

Os pedículos são estruturas ósseas que conectam a região anterior da vértebra aos seus elementos posteriores. Eles também participam da formação das paredes laterais do canal vertebral.

É dentro do canal vertebral que se encontram importantes estruturas neurológicas, como a medula espinhal e as raízes nervosas.

Figura 1: Pedículos curtos ou pedículos constitucionalmente curtos. Note como há diminuição do canal vertebral, local de passagem da medula e nervos.
Figura 1: Pedículos curtos ou pedículos constitucionalmente curtos. Note como há diminuição do canal vertebral, local de passagem da medula e nervos.

2. O que são pedículos curtos?

Em algumas pessoas, os pedículos apresentam comprimento menor do que o habitual.

Essa característica anatômica faz com que o canal vertebral possa apresentar dimensões reduzidas, com menor espaço disponível para as estruturas neurológicas.

Por se tratar geralmente de uma característica presente desde o desenvolvimento da coluna, utiliza-se também a expressão pedículos constitucionalmente curtos.

A diferença entre uma vértebra com pedículos de comprimento habitual e outra com pedículos curtos pode ser observada nos exames de imagem, nos quais se evidencia a redução do espaço interno do canal vertebral.

Figura 2: Pedículos curtos ou pedículos constitucionalmente curtos.
Figura 2: Pedículos curtos ou pedículos constitucionalmente curtos.

3. Pedículos curtos são a mesma coisa que estenose do canal vertebral?

Os conceitos estão relacionados, mas não são exatamente iguais.

Os pedículos curtos representam uma característica anatômica capaz de fazer com que o canal vertebral seja naturalmente mais estreito.

Já a estenose do canal vertebral corresponde a uma redução do espaço disponível dentro do canal que pode produzir compressão das estruturas neurológicas e causar sintomas.

Assim, um paciente pode apresentar pedículos curtos sem apresentar qualquer compressão dos nervos ou da medula.

Por outro lado, quando uma pessoa já possui um canal constitucionalmente estreito, é mais fácil que desenvolva um quadro de estenose sintomática (estreitamento) pois mesmos alterações pequenas geram compressões.

4. Quais são as causas dos pedículos curtos?

Na maioria dos casos, trata-se de uma característica constitucional relacionada ao desenvolvimento da própria coluna vertebral.

Entre as condições relacionadas descritas estão:

  • herança genética;
  • características individuais e populacionais;
  • determinadas síndromes ou alterações do desenvolvimento esquelético;
  • alterações durante o desenvolvimento;
  • idiopáticos (casos sem uma causa específica identificável)

Entre as condições associadas descritas na literatura estão síndromes e doenças que interferem no desenvolvimento ósseo, como a acondroplasia (nanismo)

5. Quais são os sintomas?

Grande parte dos pacientes com pedículos curtos não apresenta sintomas. Mesmo que o canal vertebral seja menor do que o habitual, pode existir espaço suficiente para as estruturas neurológicas sem qualquer compressão.

Por outro lado, os pacientes com pedículos curtos estão sob risco de:

  • Desenvolverem sintomas de forma precoce (mais jovens)
  • Apresentarem sintomas mesmo com hérnias e desgastes leves da coluna
Figura 3: Pedículos Curtos – Os principais sintomas são dor lombar e irradiação para as pernas ou “pernas pesadas”.
Figura 3: Pedículos Curtos – Os principais sintomas são dor lombar e irradiação para as pernas ou “pernas pesadas”.

Por apresentarem um canal vertebral constitucionalmente mais estreito, alguns pacientes podem desenvolver sintomas com alterações degenerativas relativamente menores da coluna.

Quando ocorre comprometimento principalmente da coluna lombar, podem aparecer:

  • dor lombar;
  • dor irradiada para os membros inferiores;
  • ciática;
  • formigamentos;
  • sensação de peso ou cansaço nas pernas;
  • redução da força muscular;
  • dificuldade para caminhar;
  • claudicação neurogênica.

A claudicação neurogênica corresponde principalmente ao aparecimento de dor, desconforto, peso ou cansaço nas pernas durante a caminhada ou permanência prolongada em pé.

Em situações de compressão neurológica importante também podem ocorrer alterações urinárias ou intestinais.

6. Pedículos curtos na coluna cervical

Embora sejam frequentemente encontrados na coluna lombar, alterações constitucionais das dimensões do canal também podem ocorrer na coluna cervical.

Nesses pacientes, a redução do espaço disponível para a medula estenose cervical pode se tornar mais relevante quando existe associação com alterações degenerativas, protrusões ou hérnias de disco.

Os sintomas podem incluir:

  • dor cervical;
  • dor irradiada para os braços;
  • formigamento nos membros superiores;
  • redução de força;
  • dificuldade de coordenação;
  • alterações de equilíbrio;
  • alterações da marcha.

7. Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa por uma avaliação clínica detalhada, levando em consideração os sintomas apresentados pelo paciente e o exame físico.

Os exames de imagem são fundamentais para avaliar tanto as características anatômicas do canal vertebral quanto possíveis alterações associadas.

Ressonância magnética

A ressonância magnética da coluna vertebral é particularmente importante porque permite avaliar:

  • dimensões do canal vertebral;
  • discos intervertebrais;
  • raízes nervosas;
  • medula espinhal;
  • presença de hérnias ou protrusões;
  • existência de compressão neurológica.
Figura 4: Pedículos curtos – Pontos de estreitamento apontados pelas setas na ressonância magnética
Figura 4: Pedículos curtos – Pontos de estreitamento apontados pelas setas na ressonância magnética.

Tomografia computadorizada

A tomografia pode complementar a investigação, principalmente quando é necessária uma avaliação mais detalhada das estruturas ósseas.

Muitas vezes, os pedículos curtos são identificados incidentalmente, ou seja, o paciente realiza um exame por outro motivo e essa característica é observada sem que seja necessariamente a causa dos sintomas.

8. Pedículos curtos precisam de tratamento?

Não necessariamente.

Pacientes assintomáticos geralmente não precisam de tratamento específico somente por apresentarem pedículos curtos.

A presença dessa característica em uma ressonância ou tomografia, de maneira isolada, também não representa indicação de infiltração ou cirurgia.

Para pacientes sem sintomas, algumas medidas gerais podem contribuir para a saúde da coluna:

  • manutenção de peso adequado;
  • atividade física regular;
  • fortalecimento da musculatura do tronco;
  • cuidados posturais;
  • adequação ergonômica;
  • evitar sobrecargas excessivas;
  • evitar tabagismo.

9. Como tratar pacientes com sintomas?

Nos pacientes sintomáticos, o tratamento deve ser direcionado principalmente para a causa dos sintomas e para as alterações associadas encontradas durante a avaliação.

Na maioria das situações, inicia-se com tratamento conservador.

Ele pode incluir:

  • fisioterapia;
  • fortalecimento da musculatura do tronco;
  • estabilização da coluna;
  • adequação das atividades físicas;
  • medidas analgésicas;
  • medicamentos específicos quando indicados;
  • orientações ergonômicas e posturais.

O tratamento deve ser individualizado conforme a intensidade dos sintomas, a existência ou não de comprometimento neurológico e os achados dos exames de imagem.

10. Infiltrações podem ser utilizadas?

Em alguns pacientes com sintomas persistentes apesar do tratamento conservador, procedimentos de infiltração da coluna vertebral podem fazer parte da estratégia terapêutica.

Esses procedimentos têm finalidade terapêutica e podem ser considerados principalmente diante de quadros dolorosos associados a processos inflamatórios ou compressivos específicos.

Entretanto, a simples presença de pedículos curtos não representa indicação para realização de infiltrações.

Figura 5: Infiltrações e procedimentos minimamente invasivos são ótimas opções nos casos de pedículos curtos – Dr. Teixeira
Figura 5: Infiltrações e procedimentos minimamente invasivos são ótimas opções nos casos de pedículos curtos – Dr. Teixeira.

11. Quando a cirurgia pode ser necessária?

A presença isolada de pedículos curtos não é indicação de cirurgia.

O tratamento cirúrgico pode ser considerado quando existe associação com estenose importante do canal vertebral e compressão das estruturas neurológicas, especialmente quando o paciente apresenta sintomas persistentes, progressivos ou déficits neurológicos.

Nesses casos, o principal objetivo da cirurgia costuma ser aumentar o espaço disponível para os nervos ou para a medula por meio de uma descompressão.

Dependendo das características do caso, podem ser utilizadas técnicas convencionais ou minimamente invasivas, incluindo procedimentos realizados com auxílio de microscopia ou endoscopia.

A necessidade de realizar uma artrodese deve ser avaliada separadamente. A presença de pedículos curtos, isoladamente, não constitui indicação de fusão da coluna.

12. Os pedículos curtos pioram com o tempo?

Os pedículos não se tornam progressivamente mais curtos.

Eles representam uma característica anatômica estrutural.

O que pode ocorrer ao longo dos anos é o aparecimento de outras alterações da coluna, tais como:

  • degeneração dos discos;
  • protrusões ou hérnias discais;
  • artrose;
  • formação de osteófitos (bicos de papagaio);
  • alterações das articulações da coluna;
  • espessamento de estruturas ligamentares.

Quando essas alterações surgem em um paciente que já possui um canal vertebral naturalmente menor, o espaço disponível para as estruturas neurológicas pode diminuir ainda mais.

Por isso, muitas vezes o quadro clínico resulta da associação entre uma característica constitucional e alterações degenerativas adquiridas ao longo da vida.

13. Qual é o prognóstico?

A maioria dos pacientes que apresenta apenas pedículos constitucionalmente curtos e não possui compressão neurológica significativa apresenta evolução favorável.

Muitos permanecem assintomáticos e nunca necessitam de qualquer procedimento específico.

Por isso, a avaliação deve sempre considerar três elementos principais: sintomas do paciente + exame físico e neurológico + exames de imagem.

Um achado descrito em uma ressonância não deve ser interpretado isoladamente.

Quando existem dor persistente, ciática, fraqueza, redução progressiva da capacidade de caminhar ou alterações de equilíbrio, é importante realizar avaliação com um especialista em coluna.

14. Perguntas frequentes

1. O que significa pedículos curtos na ressonância?

Significa que uma parte da anatomia óssea das vértebras apresenta comprimento menor do que o habitual, o que pode fazer com que o canal vertebral possua dimensões reduzidas.

2. Pedículos curtos são uma doença?

Não necessariamente. Trata-se principalmente de uma característica anatômica constitucional, e muitas pessoas permanecem assintomáticas.

3. Pedículos curtos causam dor?

Não obrigatoriamente. Eles podem contribuir para o aparecimento de sintomas quando existe redução significativa do espaço disponível para os nervos ou associação com outras alterações da coluna. Portanto, encontrar pedículos curtos em uma ressonância não significa necessariamente que esse seja o motivo da dor.

4. Pedículos curtos podem causar estenose?

Os pedículos curtos resultam em um canal vertebral constitucionalmente menor, o que aumenta a chance do desenvolvimento de estenose por outras causas.

5. Quem tem pedículos curtos precisa operar?

Na maioria dos casos, não. Pacientes assintomáticos ou que apresentam melhora com tratamento conservador geralmente não possuem indicação de cirurgia.

Pedículos curtos: o mais importante

A identificação de pedículos curtos em um exame de imagem não significa automaticamente que exista uma doença grave ou necessidade de cirurgia.

Muitos pacientes apresentam essa característica anatômica sem qualquer sintoma.

A sua importância clínica depende principalmente da quantidade de espaço disponível dentro do canal vertebral, da existência de alterações associadas e, sobretudo, da presença ou não de compressão das estruturas neurológicas.

Quando existem sintomas, o tratamento deve ser individualizado, podendo variar desde acompanhamento e tratamento conservador até procedimentos de descompressão nos casos adequadamente selecionados.

Portanto, a decisão terapêutica deve sempre ser baseada na correlação entre quadro clínico, exame físico e exames de imagem.

O Dr. Ricardo Teixeira é médico ortopedista e especialista em Coluna pela Universidade de São Paulo – USP. Ele atua nos melhores hospitais de São Paulo e está apto a realizar cirurgia com qualidade e segurança. Além disso, integra o Núcleo de Ortopedia Especializada, que reúne especialistas renomados em todas as áreas da ortopedia moderna.

 

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