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Riscos e complicações em cirurgia de coluna

Assim como em qualquer outra especialidade médica, também existem riscos e complicações em cirurgia de coluna. Desta forma, todos os pacientes que irão se submeter a algum procedimento de coluna devem estar cientes de potenciais complicações. É dever do médico orientar e esclarecer o paciente e familiares sobre todos estes riscos.

Também é importante mencionar que o risco de complicações em cirurgia de coluna, embora baixo, muda de acordo com a patologia do paciente, suas comorbidades e o tipo de cirurgia a ser realizada. Por isso, a consulta pré-cirúrgica com seu cirurgião de coluna é tão importante.

Este artigo descreve riscos e complicações em cirurgia de coluna de maneira geral e não substitui a análise e orientação médica específica em cada caso pelo cirurgião responsável.

Risco anestésico

Todas as cirurgias são realizadas sob anestesia. O tipo mais comum de anestesia empregada é anestesia geral. Em casos selecionados é possível realizar a cirurgia sob sedação e anestesia local.

Assim, uma das complicações em cirurgia de coluna é aquela relacionada ao processo anestésico. Felizmente, são raras e na maioria das vezes, simples. Podemos mencionar:

  • Enjoo
  • Vômitos
  • Dor de cabeça
  • Anestesia aos medicamentos anestésicos
  • Parada cardiorrespiratória e anestesias parciais podem ocorrer, embora sejam bastante raras.
Riscos e complicações em cirurgia de coluna – Anestesia
Figura 1: Riscos e complicações em cirurgia de coluna – Anestesia

Risco de sangramento

O risco de lesão vascular durante uma cirurgia de coluna é bastante baixo, menos de 2% dos casos, e muda de acordo com a técnica. A lesão vascular, portanto, é uma complicação em cirurgia de coluna muito rara, mas que pela sua gravidade deve ser mencionada.

As cirurgias realizadas pela via posterior, isto é, pela “nuca” e pelas “costas” são a maioria e, felizmente, apresentam risco praticamente nulo de lesão vascular, isto porque os vasos sanguíneos de grande calibre não passam próximo ao sítio cirúrgico.

Ainda que em níveis baixos, as cirurgias realizadas por via anterior, isto é, a coluna é operada através de uma incisão na região anterior do pescoço (coluna cervical) ou pelo abdômen (coluna lombar), apresentam um risco maior pois por ali passam veias e artérias de maior calibre.

Figura 2: Riscos e complicações em cirurgia de coluna - Diferentes técnicas | Dr. Ricardo Teixeira
Figura 2: Riscos e complicações em cirurgia de coluna – Diferentes técnicas

Risco de infecção

Outro risco e complicação em cirurgia de coluna é a infecção pós-operatória. Suas taxas variam de 2 até a 11%. Os principais fatores que aumentam sua ocorrência são:

  • Presença de comorbidades, por exemplo, diabetes mellitus ou câncer
  • Uso de imunossupressores ou corticoide
  • Porte cirúrgico (quanto maior e mais demorada, maior o risco de infecção)
  • Uso de materiais (as cirurgias em que são empregados parafusos, cages ou próteses apresentam maior risco de infecção quando comparadas às cirurgias puramente descompressivas)
  • Regras de antissepsia e assepsia da equipe cirúrgica e do hospital

Nos casos de infecção pós-operatória, é possível que o paciente seja submetido a uma nova cirurgia para limpeza da região acometida e que receba antibiótico por um período prolongado.

Risco neurológico

A lesão neurológica é uma complicação em cirurgia de coluna bastante temida devido ao seu impacto na qualidade de vida do paciente e seu caráter muitas vezes irreversível. As estruturas neurológicas em risco na cirurgia de coluna são as raízes nervosas e a medula espinhal.

As lesões neurológicas podem gerar: perda de sensibilidade e/ou motricidade em um ou mais segmentos do corpo e até mesmo perda do controle urinário e intestinal.

A sua ocorrência também é rara pois os instrumentais cirúrgicos e as técnicas cirúrgicas estão em constante evolução e aprimoramento.

Falha de implantes

Outro risco e complicação em cirurgia de coluna é a falha dos implantes, ou seja, dos materiais que permanecem na coluna do paciente. Sobretudo nas cirurgias de artrodese (artrodese cervical e artrodese lombar) são empregados parafusos, hastes, cages e próteses que podem falhar após determinado tempo. As principais formas de falha de implantes são:

  • Quebra do material (é possível que em algum momento estes materiais quebrem)
  • Migração do material (caso não tenham sido posicionados corretamente, por osteoporose ou por carga excessiva, estes materiais podem se deslocar)
  • Soltura do material
Riscos e complicações em cirurgia de coluna – Falha de Implantes
Figura 3: Riscos e complicações em cirurgia de coluna – Falha de Implantes

Lesão dural com fístula liquórica

As estruturas neurológicas que se localizam dentro da coluna (medula espinhal e nervos) são recobertas por uma membrana chamada meninge e banhadas por um líquido chamado líquor. Uma complicação possível em cirurgia de coluna é que essa membrana seja lesada, quadro que chamamos de lesão dural.

Esta lesão da meninge pode levar a um extravasamento deste líquido (líquor), em um quadro chamado de fístula liquórica. Assim, caso uma fístula liquórica esteja presente, a conduta mais provável é que seja feito novo procedimento ou para suturar esta lesão ou para desviar o fluxo desse líquido para um recipiente externo até que essa lesão se feche/cicatrize.

Lesão dural com fístula liquórica
Figura 4: Riscos e complicações em cirurgia de coluna – Lesão dural com fístula liquórica

Recidiva

A recidiva é uma possível complicação em cirurgia de coluna que ocorre quando há o aparecimento novamente da patologia que motivou a cirurgia após determinado período de melhora. Isto quer dizer que pacientes que operaram de hérnia de disco, por exemplo, podem desenvolver novamente o mesmo quadro. Isto ocorre em cerca de 3% dos pacientes.

A recidiva pode ocorrer em pós-operatórios de:

Persistência de sintomas

Apesar de não ser uma complicação em cirurgia de coluna propriamente dita, a persistência dos sintomas prévios à cirurgia pode ocorrer e sua razão deve ser bem definida. As principais causas de persistência dos sintomas são:

  • Cirurgia malsucedida (a origem da dor não foi tratada com a cirurgia)
  • Lesões definitivas (pacientes que apresentem lesões definitivas prévias à cirurgia, principalmente neurológicas, talvez não melhorem com o procedimento cirúrgico)

Obs.: Caso a dor retorne após algum tempo de alívio dos sintomas, há uma grande chance de ser um caso de recidiva, ou seja, retorno do problema (LEIA TÓPICO ACIMA)

Mudança de sintomas

Após qualquer procedimento cirúrgico, é possível e até esperado que o paciente sinta alguma dor no pós-operatório. No entanto, a dor habitual do pós-operatório é controlada e melhora ao longo dos dias. Por outro lado, uma dor de forte intensidade ou a mudança do padrão de dor, sobretudo as dores irradiadas para os braços ou pernas, são tidas como uma complicação em cirurgia de coluna.

Portanto, caso o paciente apresente mudança no padrão da dor e/ou na sua intensidade, é necessário que se investigue sua causa de forma detalhada. As principais causas da mudança da dor no pós-operatório são:

  • Lesão neurológica (raízes nervosas ou medula espinhal)
  • Mau posicionamento ou migração de parafusos ou implantes
  • Fratura da coluna
  • Infecção
  • Lesão dural / Fístula liquórica

Trombose Venosa

O processo cirúrgico e a diminuição da mobilidade pós-operatória aumentam a chance do paciente apresentar trombose, principalmente dos membros inferiores. Os principais fatores de risco desta complicação em cirurgia de coluna são:

  • Idade avançada
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Diabetes Mellitus
  • Cirurgias de grande porte
  • Pouca mobilidade após a cirurgia
  • Uso de anticoncepcionais
  • Fatores genéticos que aumentem a chance de trombose

Os pacientes com trombose apresentam dor, vermelhidão e inchaço nos membros e devem procurar atendimento médico imediato caso apresentem tais sintomas. A ausência de tratamento pode levar à migração destes trombos (coágulos) ao pulmão e coração levando a risco de vida.

Falha de cicatrização

É possível que alguns pacientes apresentem falha de cicatrização, especialmente nas seguintes condições:

  • Tabagismo
  • Diabetes Mellitus
  • Cuidados precários com a ferida operatória
  • Idade avançada
  • Obesidade
  • Apoio constante sobre a incisão

Riscos relacionados à cirurgia de artrodese de coluna

A artrodese (fusão) é uma excelente técnica cirúrgica quando bem executada e bem indicada. No entanto, ela apresenta algumas complicações e riscos específicos, são eles:

  • Limitação de mobilidade no segmento operado
  • Sobrecarga da coluna no segmento adjacente ao operado
  • Pseudoartrose (as vértebras não se fundem como deveriam)
  • Migração ou quebra dos implantes

Lesões por mau posicionamento e preparação

Durante o procedimento cirúrgico, o paciente permanece na mesma posição por um período prolongado e caso seu posicionamento e preparação não sejam adequados, é possível que ocorram as seguintes complicações:

  • Lesões oculares (quando operado de bruços)
  • Lesões de pele
  • Lesões bucais pela intubação

Conclusão

Apesar de podermos enumerar vários riscos e complicações em cirurgia de coluna, é importante mencionar que sua ocorrência é bastante incomum. As complicações graves são ainda mais raras. A evolução dos instrumentais cirúrgicos e das técnicas operatórias possibilitam aos profissionais de formação sólida atingirem índices muito baixos de complicações.

Entretanto, é fundamental que todos os pacientes sejam orientados de forma detalhada sobre seu diagnóstico e estejam cientes que riscos e complicações em cirurgia de coluna existem.

O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em coluna.

Fonte:
Sociedade Brasileira de Coluna (http://portalsbc.org)
AO SPINE (https://aospine.aofoundation.org)
Sistema Nacional de Saúde Britânico (https://www.nhs.uk/conditions/lumbar-decompression-surgery/risks)
Sociedade norte americana de cirurgia de coluna (https://www.spine.org/)

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